Réquiem

Ele não está mais entre nós.
Partiu assim... num dia de manhã.

Ela, como todos os outros, não gostava de cerimônias de despedida. E não achava bonitos os acessórios que todos usam em todas as cerimônias de despedida.
Decidiu, na longa noite daquele dia, que os dispensaria.
Deitou seu corpo sobre uma mesa, coberta por um lençol branco que descia ao chão.
As flores recebidas eram calmamente desmanchadas. A pressa não mais fazia sentido. As pétalas e folhas, colocadas em recipientes e espalhadas pela sala.
Sentada nas dobras brancas do lençol, ela costurava nele pétalas e folhas com agulha fina e retroz de linha branca. Os amigos que chegavam para se despedir, sentavam ao seu lado e costuravam com ela, desmanchando o retroz de linha branca.
Ninguém dizia nada. Aquele não era tempo de palavras.
Ao fim da cerimônia, ele repousava sobre um jardim, criado assim... num dia de tarde, a última tarde.
E ela achou bonito. Suave, foi o que disse. Uma palavra para quebrar o silêncio da tarde.
Suave é palavra com asas, que ela levou para voar em todas as outras tardes depois daquele dia.

Antigua - Guatemala

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